Pólo aguenta mais 30 dias, no máximo, até chegada de componentes da China
Três semanas atrás, a China vivia o ápice da crise com o Covid-19. A ásia era a região do planeta mais afetada pelo vírus. A indústria chinesa, importante para o segmento de eletroeletrônicos, reduziu a quase zero cerca de 40 por cento dos componentes exportados para todo o mundo e o seu retorno às atividades normais era considerado fundamental para o setor tecnológico do planeta. Hoje, o quadro se reverteu. A China controla o vírus e, aos poucos, retoma sua atividade comercial e industrial, recomeçando a produzir. Mas... quando esta produção chegará por aqui? Essa é a grande interrogação.
Agora, quem convive com a doença em escala crescente é o Brasil. E o Pólo de Eletroeletrônicos, localizado no Distrito Industrial de Ilhéus, no sul da Bahia, que depende dos componentes eletrônicos "made in China", é quem passou a aguardar com muita expectativa os rumos que terá que tomar em um futuro bem próximo. Uma semana antes de explodir os casos do Covid-19 no Brasil, as montadoras em Ilhéus sentiam o reflexo da crise chinesa, com uma queda pela metade da sua produção. Os insumos pararam de chegar da Ásia. Sem eles, inevitavelmente, pára a produção do Polo de Informática de Ilhéus.
"Acreditamos que em breve haverá um novo abastecimento", avalia o presidente do Sinec, sindicato que representa as marcas instaladas em Ilhéus, Sílvio Comin. Mas se isto não ocorrer nos próximos 30 dias - assegura o dirigente - a parada será inevitável para muitas montadoras. "Se não melhorar o quadro nos próximos 30 dias, talvez já tenhamos casos de empresas parando por falta de insumo. Isso se não parar antes por conta de restrições governamentais no Brasil em função do avanço do Covid-19", alerta.
Para além do suspense a respeito das importações e do reabastecimento do estoque, as montadoras neste momento também se preocupam com questões internas. Por exemplo: O segmento está sujeito a novas restrições nos estados de destino da produção. Há estados fechando fronteiras ou diminuindo acesso de veículos, em especial, de cargas "e isso pode ser um problema sério de logística que iremos enfrentar", destaca Comin. "Infelizmente, há aí uma tendência a piorar um pouco a situação", lamenta.
O fato é que, no momento, tudo é uma grande incógnita para o segmento. Pedidos antigos já estão sendo entregues com certo atraso e fora a preocupação com a logística há, também, o convívio com a possibilidade real de não poder trabalhar com capacidade plena de mão-de-obra. Para evitar a contaminação dos trabalhadores, o Sinec tem incentivado as empresas a adotar nas unidades industriais medidas de prevenção e conscientização, até com rodízio de funcionários na escala de trabalho. "Qualquer sintoma de gripe, das mais simples, estamos aconselhando o trabalhador a ficar em casa, medida já adotada com colaboradores com idade mais avançada", explica Sílvio Comin. As escalas também estão mais reduzidas, segundo o dirigente.
Por enquanto, o Pólo de Eletroeletrônico de Ilhéus, "vai tocando até quando for possível", conforme definição de Comin, em entrevista exclusiva concedida ao Jornal Bahia Online. Mas... até quando mesmo? É a pergunta, hoje, sem resposta.